CAOS URBANO

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

Hip-Hop Quilombola no "São Gonçalo in Rap"

No mês da Consciência Negra, o "São Gonçalo in Rap" convida para subir ao palco da Loninha Cultural Mauro Braga o grupo de rap "Realidade Negra", do Quilombo do Campinho da Independência. O Quilombo do Campinho resiste em Paraty desde o século XIX, onde surgiu comandado por 3 ex-escravas (Antonica, Marcelina e Luísa) que deram origem aos 3 grupamentos familiares que até hoje residem na área. A modernidade aliada aos saberes tradicionais fizeram o berço para que jovens quilombolas formassem o grupo e provassem, mais uma vez que a cultura hip-hop une e dá voz à juventude negra de todo o mundo.
O grupo, que já teve apresentações junto com artistas como: Leci Brandão, Rappin Hood, Cidade Negra e Gilberto Gil; se apresentará nesta sexta-feira com o baixista da Banda Black Rio, Rogerão.

Esta edição do "São Gonçalo in Rap terá ainda: Ramon Torres (Baixista), AKO Dance (Break) e os DJ's Júlio e Guilherme

Informações: (21) 8332-9760 - DinhoK2 / saogoncaloinrap@yahoo.com.br

Serviço
Onde: Loninha Cultural Mauro Braga (Ao lado do SESC e aos fundos do Centro Cultural Joaquim Lavoura)
Av. Presidente Kennedy, 721 - Estrela do Norte, São Gonçalo - RJ
Quando: 14/11/2008, a partir das 19 horas
posted by DINHO K2 3:47 PM

Quinta-feira, Outubro 30, 2008


A hora e a vez do Hip-Hop



O programa de revitalização da Loninha Mauro Braga apresenta o evento São Gonçalo In Rap.

Comandado pelo Rapper Dinho K2, o evento apresenta nesta 4º edição um panorama completo do universo Hip-Hop.

Diversas atrações estão na programação, entre elas:

Rapper Willian Du Contra, com sua máquina verborrágica giratória, os Dj’s Júlio e Mangue Boy, o fabuloso El Tosh e mais B. Boys e uma galera mandando ver no Free Style.

Se você não conhece o universo Hip-Hop, esta é a hora. Se você sabe a maravilha que é, aproveite e chame os amigos.

Os 4 elementos do Hip-Hop no São Gonçalo In Rap!!!!!!



Serviço:



Evento: São Gonçalo In Rap

Dia: 31 de outubro de 2008. Hora: 19h.

Local: Loninha Cultural Mauro Braga – Av. Presidente Kenedy, nº721 – Estrela do Norte - São Gonçalo - RJ(Centro Cultural Joaquim Lavoura – ao lado do SESC-SG)

Entrada Franca e aberta

Realização: Prefeitura Municipal de São Gonçalo

Promoção: Secretaria Municipal de Turismo e Cultura e o C.L.A.M
Reinaldo Baso
posted by DINHO K2 12:00 AM

Quarta-feira, Outubro 15, 2008



MC GRILLO estará no São Gonçalo In Rap


Edição do mês de outubro do São Gonçalo in Rap.

Hip-Hop na sua SIMPLICIDADE.

Programação .

DJ Guilherme (CUFA), Dj Candace, Guetos Crew Breaks.
MC Tigrão, MC Eltosh, MC Grilo e Prioridade SG.


Serviço
Endereço: Centro Cultural Joaquim Lavoura - Av. Presidente Kennedy, 721 - Estrela do Norte ao lado do SESC.
Dia 17 de outubro
Horário: das 17 às 22 horas
Maiores informações: (21) 8291-4395

posted by DINHO K2 4:31 AM

Terça-feira, Outubro 07, 2008

O segurança segue o indivíduo e passa o rádio o tempo todo

"Negro, negrito, negro de merda etc., são metáforas desclassificatórias. Uma metáfora que desclassifique alguém como ser humano o fere no íntimo e não apenas na superfície. A humilhação de um indivíduo e de um grupo faz parte do processo de dominação. A humilhação, entre os grupos humanos, se dá de diferentes formas, mas, principalmente, através de palavras. As idéias precisam das palavras. As palavras são as imagens dos pensamentos e precisam ser pronunciadas para existirem, mas, depois que são ditas, fica-se preso a elas para sempre ou até que haja um processo de conscientização".
Retirado do caso de RACISMO no futebol. No dia 14 de abril, durante o jogo entre o São Paulo, time brasileiro, e o Quilmes, time argentino, tivemos um episódio envolvendo o atacante brasileiro Grafite e o jogador argentino Leandro Desábato.

Algumas instituições agem como colaboradoras do racismo à moda democracia racial. Em suas dependências, vez ou outra executam uma programação da cultura negra, mas nas exposições do resto do ano continuam a perseguir e constranger qualquer negro que ouse pensar que aquele é um espaço ao qual ele tem direito. De certa forma, as programações servem para que a instituição "se defenda" de qualquer acusação de racismo. Entretanto, os fatos que acontecem no restante do ano passam a impressão de que o mês de novembro é o único mês do ano em que a negrada pode frequentar determinados espaços, que nos são interditados no resto do ano.

A interdição não precisa ser necessariamente o impedimento da entrada da pessoa no estabelecimento, como costuma argumentar os gerentes quando vamos nos queixar. Os contrangimentos, o segurança que segue o indivíduo e passa rádio o tempo todo, as piadas que eles trocam entre si e a gente sempre sabe que é de nos que eles falam, são exemplos de atitudes racistas e que podem desencadear processos judiciais. Enquanto nos restringirmos a lamentar o contrangimento só quando chegamos em casa, nada vai mudar e as firmas continuarão com atitudes racistas. A partir do momento em que isso começar a se reverter em ações judiciais, eles verão que uma ou outra programação em novembro não é suficiente para corrigir a seqüência de erros que eles aprontam durante o ano inteiro.

posted by DINHO K2 11:48 PM

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

A edição de setembro do São Gonçalo in Rap 2008 foi surpreendente, se levarmos em conta o temporal que caiu pela manhã e a chuva que seguiu durante o dia todo. Um público formado por pessoas de várias regiões do Rio de Janeiro se reuniu sob a Loninha Cultural Mauro Braga para a celebração da cultura hip-hop.
Candace teve sua estréia como DJ(éia) e Funkero abriu a noite apresentando uma faixa da sua mixtape "Poesia Marginal" que serviu de base para que os b.boys de Rio das Ostras, Belém (PA), Macaé, São Gonçalo e Rio Bonito disputassem que era o melhor na dança. Em seguida tivemos o rap dos grupos Bandeira Negra, Mc Wiza e Mano Gláucio, que vieram de Macaé e Rio das Ostras para fortalecer o evento. Quem comandou o som para que os b.boys não ficassem parados foram os DJ Dall e Roger Flex, enquanto quem fechou o evento com freestyle foram Funkero e Diego (acompanhado de um amigo também do Prioridade SG). Os b.boy, mas uma vez, não ficaram parados.
A presença da TV Futura realizando a cobertura do evento serviu para nos mostrar o quanto São Gonçalo é o foco quando se fala de cultura Hip-Hop. Zezzinho Andrade, da LUB - Liga Urbana de Basquete, também nos prestigiou com sua presença para realizar a cobertura do evento.
Um momento emocionante foi quando Funkero, o apresentador da noite, anunciou o aniversário de K2. Seria mais uma comemoração qualquer se não se tratasse de um ícone da cultura hip-hop nacional. K2 aproveitou o momento para falar de sua trajetória no hip-hop e do quanto é importante que cada um que se assume enquanto cultura hip-hop assuma também sua responsabilidade em ser um exemplo do bem para os moleques e molecas de suas quebradas.

Um grande salve para todos que contribuíram para que o evento tivesse a proporção e beleza que teve. Até outubro!


Comentários retirados do orkut:

DJ Dall de São Paulo: agradeço irmão e mais uma vez parabéns ae por td de coração mano tamo junto sempre mano só liga nóis. um forte abraço fik com Deus espero voltar em breve...

Fábio MC, Bandeira Negra: Grande K2, Nós estamos buscando espaços para tentar difundir um pouco das idéias que compartilhamos via letra e via conversa e a sua compreensão abriu a porta do São Gonçalo In Rap, ou seja, nós que agradecemos e estamos juntos. É tudo nosso! E que o São gonçalo in Rap continue , pois é um espaço mais do que importante pro Hip Hop do Rio de Janeiro!
posted by DINHO K2 5:21 AM

O São Gonçalo in Rap passou por uma reformulação para que a edição de 2008 acontecesse ao longo do ano, em edições mensais mais compactas e com objetivo de aproximar as pessoas. Priorizaremos a articulação com outros grupos e pessoas que fazem cultura hip-hop na região e em outras localidades, em detrimento do espetáculo pura e simplesmente. Não por isso deixamos de cuidar da qualidade artística do evento, hip-hop é cultura de rua e nela a falta de recursos não é desculpa para não fazer as coisas. Muito pelo contrário, as faltas e carências sociais são justamente o motivo de tanta resistência desta cultura.

O evento faz parte do programa de revitalização da Loninha Cultural Mauro Braga, no Centro Cultural Joaquim Lavoura, promovido pela Secretaria de Cultura e Turismo de São Gonçalo.

Estão programadas edições do São Gonçalo in Rap, a partir de agosto até dezembro. As datas dos eventos estão na seção "Agenda" deste sítio.
posted by DINHO K2 5:20 AM

Terça-feira, Setembro 09, 2008


Quero agradecer a todos

A cada manhã quando acordo, sinto uma felicidade de outro mundo.
Fazer as matérias, escrever poemas, músicas, respirar, amar os opressores, isso me mantém vivo, com coragem para dar o melhor de mim e sonhar com esse mundo se humanizando em todos os cantos.
A todos os leitores e admiradores os meus mais sinceros votos de agradecimentos.

"Quando sentir-se só e com medo, acharás em seu interior a força que precisas"
Dinho K2


posted by DINHO K2 9:13 PM

Segunda-feira, Setembro 08, 2008


HUTUZ 2008 - 9º Edição

A nona edição do maior Festival de Hip hop da América Latina já está começando. Com certeza, você não pode ficar fora! Envie seu material para concorrer nas seguintes categorias: Demo Feminino, Demo Masculino, Melhor Vídeo Clipe e Destaque no Graffiti.

O material deve estar acompanhado de fotos, vídeos, release e contatos para as categorias Demo Feminino, Demo Masculino, Melhor Videoclipe e Destaque Graffiti, e deve ser enviado para o seguinte endereço: Rua Carvalho de Souza, 137 – sala 111, Madureira. CEP: 21350-180 - Rio de Janeiro , RJ. Tudo deve ser postado até o dia 1° de setembro de 2008 , valendo como registro o selo do Correio.

Os áudios enviados para as categorias Demo Feminino e Demo Masculino devem apontar / conter apenas uma faixa para concorrer. Caso o material venha sem especificação, a produção escolherá a faixa título do CD ou a faixa de número 1.

Os interessados em concorrer na categoria Destaque Graffiti devem enviar dois trabalhos digitalizados, com apresentação do artista, para a produção Hutúz através do e-mail graffiti@hutuz.com.br .

Mais informações e o regulamento completo, você encontra no site www.hutuz.com.br

posted by DINHO K2 7:09 AM

Domingo, Setembro 07, 2008

Está em fase de finalização o videoclipe do grupo Realidade Negra.
O clipe foi filmado em Paraty na Ilha das Cobras, Salvador e na própria comunidade do grupo no Campinho da Idependência em Paraty - Rj.
O clipe vai mostrar a realidade do grupo que vive dentro de um Quilombo e que teve as suas terras reconhecida e titulada recentemente. Vai mostrar tembém um pouco do que foi a realização do Café com Hip-Hop na cidade, as parcerias conquistadas dentro da cultura Hip-Hip e a sua caminhada.
Em breve lançamento em Paraty na comunidade do Campinho e para todo o Brasil.

posted by DINHO K2 12:45 AM

Conhecendo um pouco a história da Revolta da Chibata e ouvindo alguns marinheiros de hoje; nada mudou.

A Revolta da Chibata ocorreu em 22 de novembro de 1910, no Rio de Janeiro, com a revolta dos marinheiros. Naquele período era comum açoitar com chibatadas os marinheiros, tudo com intuito de discipliná-los.

Através dessa prática violenta os marinheiros se revoltaram principalmente depois que o marinheiro Marcelino Rodrigues levou 250 chibatadas diante de todos os presentes no navio, desmaiou e continuou sendo açoitado.

Sempre em uma revolta ou manifestação uma pessoa toma a frente para encorajar os outros, nesse caso o Almirante Negro, o Marujo João Cândido, foi o primeiro a esboçar uma ação contrária aos castigos das chibatas.

Na baía de Guanabara encontravam-se vários navios que foram tomados pelos rebeldes, além disso, começaram a controlá-los retirando todos oficiais, aqueles que causassem resistência à ocupação eram assassinados, e se caso o governo não atendesse suas exigências ameaçavam lançar bombas na cidade.

Após o conflito, passaram-se quatro dias e, então, o Presidente Hermes da Fonseca decretou o fim da prática violenta de castigos e perdoou os marinheiros.

Entretanto, quando foram entregar as armas notaram que tinham sido enganados pelo presidente que, automaticamente, retirou da corporação da Marinha todos aqueles que compunham a revolta, além de João Cândido o líder, com isso foram depositados no fundo de navios e prisões subterrâneas na Ilhas das Cobras.

líder da revolta da chibata
João Cândido (Almirante Negro): líder da revolta
posted by DINHO K2 12:38 AM

Sexta-feira, Agosto 29, 2008

São Gonçalo in Rap

29 de Agosto

16 h - Início das oficinas de edição em software livre (introdução ao Linux)

17:30 h - Discussão teórica

Tema: “Software Livre: estratégias e mecanismos de difusão da Cultura
Hip-Hop”, com Candace

18:30 - Espaço para os b.boys, freestyle, projeção simultânea de
videoclipes de Rap

19 horas - Projeção do vídeo “788”, com os produtores Fiell e Bruno
Thomassin

Shows:

* WF

* MDG

* Soul Black

* Samuca & Cia
posted by DINHO K2 2:31 AM

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

CARLOS LATUFF - Arte para Revolução

Sala lotada, treze pessoas com a atenção totalmente voltada para o desenhista Carlos Latuff, três horas de conversa. Perto do aniversário de 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente e de 15 anos da “Chacina da Candelária”, um dos desenhos de Latuff foi utilizado em outdoors na cidade do Rio de Janeiro. A iniciativa visava chamar a população para uma manifestação contra a violência policial. O governador considerou o desenho ofensivo e em quatro dias o outdoor foi recolhido. Para Latuff foi uma pequena vitória. É o que ele nos conta nessa entrevista histórica, a segunda que concede ao Fazendo Media impresso – republicada excepcionalmente aqui no fazendomedia.com.

Por Diego Novaes, Eduardo Sá, Fernanda Chaves, Gilka Resende, Leandro Uchoas, Lorena Bispo, Luana Bispo, Luis de Gonzaga, Marcelo Salles, Maubia Chaves, Raquel Junia, Sergio Santos e Tatiane Mendes.

Tem uma frase de maio de 68 que diz assim: “nunca mais volta a dormir aquele que uma vez abriu os olhos”. Quando é que você abriu os olhos?
Que frase bonita! Eu não sei, eu lembro que o processo se desencadeou com os Zapatistas mesmo [movimento Zapatista, do México]. Eu sempre tive um incômodo com a realidade que me cercava, mas eu nunca objetivei, eu tinha aquelas revoltas juvenis, aquela coisa de adolescente revoltado, aí depois que cresce baixa o fogo e vira yuppie, civiliza. Mas o golpe fatal foi na Palestina. Aliás, eu vou contar um negócio aqui que eu achei do caralho. Eu estava no computador e aí pipocou uma pessoa no meu MSN. Era a Laila de Rafa, em Gaza [Palestina] e abriu uma câmera. Ela passou toda a conversa com um sorriso de lado a lado. A mulher vive em Gaza, com bloqueio de comida, de medicamento, de combustível, de passagem física, de tudo, e a mulher sorriu à vontade porque estava me vendo. Eu pensei assim: ‘caralho, é como se você visse uma pessoa em Sarajevo com bomba caindo e a pessoa sorrindo porque está te vendo. Por quê, eu sou um homem bonito?’

Não, com certeza não.
(risos) É porque fazia diferença para ela e para as pessoas que ela conhece. Esse trabalho de cartunista fez tanta diferença para uma pessoa que mora em Gaza a ponto de ela esquecer onde ela está vivendo para ficar sorrindo só falando comigo. O que mais comove o palestino é uma pessoa que não é mulçumana, não é árabe, que mora longe, brasileiro, se colocar a favor do povo palestino.

Como foi que o seu desenho foi parar no outdoor aqui na cidade do Rio...
A princípio, eu e o Marcelo [Salles] conversamos muito sobre a produção de imagens que possam ser apropriadas pelo movimento social. Porque a intenção foi essa, a gente primeiro criou aquela imagem, discutiu e eu publiquei na internet e fiquei aguardando. A minha parte como produtor dessa imagem eu fiz, assumi o risco de fazer e assinar. Sempre quando produzo alguma coisa tenho esse pensamento de que esse desenho possa não ser circunscrito à internet ou a um jornal. Ele precisa ser copyleft [livre reprodução] e atingir um sem número de pessoas. Aí veio o representante do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente e falou que estava pensando em fazer um outdoor e usar um desenho meu. Eu falei: ‘Cara, eu já tenho um desenho pronto. Se não for pra pegar pesado nessa questão eu não vou fazer. Se for pra desenhar pombinha da paz, criancinhas alegres eu não vou fazer’.

Por que não?
Porque é babaquice, é o Viva Rio [ONG Viva Rio] fincar cruzinhas na praia, balãozinho vermelho... Isso aí não quer dizer porra nenhuma! Porque com isso você pede paz, mas não diz quem causa a guerra. É um troço vazio. E ele me perguntou o que é pegar pesado. Eu respondi: ‘é mostrar uma criança baleada, vítima dessa política, é mostrar sangue, violência, mas dentro de um contexto diferente desse que você vê no Rambo, no Tropa de Elite, entendeu? Um contexto nosso, a realidade como é de fato.’ Aí ele falou para eu mandar o desenho. Eu mandei e não me responderam nada, pensei que o desenho tinha sido vetado.

É bom dizer o que tem no desenho...
É um policial diante de uma mãe negra abraçada a uma criança morta, também negra e baleada no peito. O garoto tem o uniforme de colégio e um caderno caído no chão. O policial está ao lado com um fuzil que acabou de atirar, ainda com a fumacinha no cano, no fundo tem uma favela e do outro lado tem um caveirão distribuindo tiro pra todo lado.


O desenho censurado pelo governo Sérgio Cabral

Então eles preferiram esse desenho à pombinha da paz...
É, me deixou satisfeito o Conselho ter a coragem de bancar o desenho. Aí gerou toda aquela polêmica, o artigo de O Globo cita como uma imagem polêmica. Mas por quê? A realidade não é polêmica, a imagem é que é polêmica. Quando você mostra, choca; estranho, né? É a lógica da sociedade hipócrita e doente; tem certas coisas que a gente sabe que existem, mas não pode externar, não pode colocar numa imagem e mostrar.

Acho que é por causa da linguagem que alcança mais gente e é isso que incomoda...
Mas aquela imagem na verdade não é uma criação literária.

Por isso é que incomoda e teve toda essa reação deles.
Pois é. Por que polêmico se é um troço que todo mundo sabe que rola? Lembra aquela propaganda do Sprite “imagem não é nada, sede é tudo”? É exatamente o contrário, a imagem é tudo, a sede não é nada. A verdade não é nada, a imagem é que machuca e era isso mesmo que eu queria.

Você acha que foi alvo de censura?
Isso pra mim não é novidade nenhuma, a história mais recente foi aquela da camisa do Cauê no Pan [personagem criado para ser mascote dos Jogos Panamericanos no Rio. Latuff desenhou uma versão do Cauê com um fuzil na mão, representando a violência policial, e recebeu a visita da polícia em sua casa para explicar o desenho]. Você tem o fascismo clássico, o racismo clássico. Nós aqui na mesa temos duas meninas negras que podem até falar muito bem disso. Se eu, por exemplo, morar no Tennessee, o cara vai chegar na lata e falar ‘negra, fuck you negra!’, mostrando a camisa com o emblema da Ku Klux Klan. Nos Estados Unidos o negócio é descarado, na lata. Na África do Sul já era política de estado, tinha aquela coisa de colored people. No Brasil é um racismo cordial. Dizem: ‘Eu não sou racista, eu tenho um amigo que é preto. Eu não sou homofóbico, eu tenho um amigo que é viado’.

Ou então você é moreninho...
Moreninho. Essas historinhas que na verdade mascaram o racismo objetivo, mas ninguém chega e fala “eu sou racista”. O fascismo é assim também no Brasil, é cordial. Claro, se for na favela é diferente, é pé na porta e o caralho. Agora esse caso do outdoor, como foi feito por um Conselho do Estado e o cara que estava à frente é um desembargador [Siro Darlan] as coisas se resolvem na base do telefonema. Se fosse um regime fascista clássico, tacava fogo no outdoor, invadia a empresa e dava porrada em todo mundo. Aqui eles não vão entrar e quebrar tudo, eles dão um telefonema para o dono - como em Israel, quando colocaram no Centro de Mídia Independente uma ilustração minha, que era o Ariel Sharon fazendo a saudação nazista. A polícia não chutou a porta da empresa de internet, deu porrada em todo mundo e tirou o site do ar. O cara ligou para o dono e falou assim: ‘Se você não tirar o site do ar a gente te mata’. Aí as coisas se resolvem, sabe...

Qual o papel da polícia na manutenção da ordem capitalista, tanto na política de segurança do governo Sergio Cabral, no Rio, quanto em outros governos baseados no extermínio?
Eu tenho certeza que o Sérgio Cabral é um cara que tem formação, não é um cara idiota. Ele sabe direitinho sobre socialismo, sabe que esse problema, se é para ser resolvido de fato, vai ter que ser no âmago da questão, que é estrutural. Porque essa coisa de troca de tiro e partir para cima é enxugar gelo, ele sabe disso, mas ele sabe que não tem outra alternativa. Ele não quer e não vai solucionar o problema do capitalismo, ele não foi eleito para isso, então essas operações na verdade são pirotécnicas.

Eles não vão lá num banco da Suíça pegar o cara que está ganhando em cima do tráfico...
E também não vão a Brasília. Não vão pegar um juiz que está envolvido, não vão pegar graúdo, não vão pegar ninguém, porque aí vão atirar no próprio pé. Entra na questão sistêmica, ele não pode combater o sistema do qual ele saiu. É o Matrix, a gente vive as sensações, a de segurança é uma delas. O Josias Quintal, que foi o secretário de segurança aqui no Rio de Janeiro no governo Garotinho, deu uma declaração que eu nunca mais vou esquecer. Eles conseguiram um acordo com as Forças Armadas para colocar a Marinha nas ruas por certo período. Ele falou assim: ‘Eu estou muito satisfeito com esse convênio firmado com as Forças Armadas de colocar os soldados na rua porque isso dá à população a sensação de segurança’. É isso, não importa se existe a segurança, importa a sensação de segurança. Ele não vai dar segurança, porque para isso ele precisa atacar as questões sistêmicas e não tem condições de fazer isso.

E como a gente combate esse sistema?
Eu acho que o combate só quem pode dar é a esquerda, qualquer um que apresente uma solução fora da esquerda é maquiar o cadáver, é jogar perfume num monte de estrume. É melhorar o capitalismo, é novamente o discurso pós-moderno de que acabou a história, o muro caiu e não tem mais luta de classe, não tem mais esquerda e direita, é só o mercado que rege nossas vidas.

Você acredita na mudança do mundo?
Não, mas eu me comovo de ver como um povo pode ser resistente como o palestino. Como pode, meu Deus! E os filhos da menina [Laila, de Rafa] sorridentes, crianças lindas, meu Deus! Aí você abre o jornal e vê: ‘o palestino é o homem-bomba, o palestino é o terrorista’. Você vê a supra-realidade. ‘O palestino é isso, o palestino é aquilo, o favelado é o bandido’ E você abre a webcam e vê: puxa, ela põe um quadro na parede, ela tem uma vida, ela é de carne e osso, ela é gente, ela é humana. Como artista, eu acho que o que eu posso fazer são essas coisas, entendeu? Como o outdoor. Ficou quatro dias, mas já foi uma vitória.

Por que você não fala com a grande imprensa?
Porque se ela não for omitir, ela vai distorcer; então se for para me sacanear, os caras vão fazer isso sozinhos e não vão precisar da minha ajuda. Você acha que O Globo faria isso que você está vendo aqui? Só se eu fosse o superstar da política e olhe lá. Aquela menina do Globo escreveu no artigo que eu não dou entrevista para a imprensa. É uma mentira, meu problema não é com a imprensa, é com essa imprensa. A imprensa corporativa, de rabo preso.

Como você define ser de direita?
É simples: é quando você privilegia o capital acima do social. Melhor definição: quando você dá mais importância ao capital em detrimento do social. Isso é direita, isso é o capitalismo, isso é o neoliberalismo, isso é o pós-modernismo. Quando você privilegia o social em detrimento do capital, é o internacionalismo, é o socialismo, é o comunismo, é o anarquismo, é a esquerda.

Engraçado, ninguém se diz de direita. Não tem um que diga...
Não tem. Eu ainda sou mais o Le Pen [Jean-Marie, político francês da extrema direita]. Ele diz literalmente que é fascista. Ótimo, parabéns. Fica mais fácil a gente te combater. Agora, o cara do PFL vem dizer que é democrata?! Pena que essa discussão só fica entre a gente.

Que nada. Milhares de pessoas vão ler essa entrevista...
Que elas vão ler essa entrevista, não tenho dúvida. Se elas vão tomar alguma atitude a partir dela, é que eu não sei. Também não importa. Mas a gente tem que fazer. O que vai acontecer em seguida não importa. Tá bom pra vocês?

posted by DINHO K2 4:57 PM

Sábado, Julho 26, 2008

Esta música foi produzida entre os dias 17 e 19 de julho do 2008, durante a oficina de áudio em software livre que aconteceu no I Encontro Nacional da Rede Mocambos. O encontro aconteceu na Casa de Cultura Tainã e contou com a presença de pessoas de vários estados do Brasil, países da América Latina e da África.

A faixa foi produzida coletivamente por: Shana (Moçambique), Ayo Shani (SP), K2 (RJ), João Pedro (SP), Candace (RJ), Fábio Black (RJ), Rony (SP), Mexicano (PA), Gustavo e Ernesto (Uruguai), Preta Gil (PI), Giba Giba (RS), TC (SP), Thaís (SP), Ike Banto (SP), Don Perna (PA), Curupaty (RO).

Ancestralidade e Tecnologia!!!
http://estudiolivre.org/repo/6244/redemocambos.mp3

posted by DINHO K2 10:51 PM

Segunda-feira, Junho 30, 2008


São Gonçalo sediará outras edições do festival de hip-hop nacional

O Grupo Cultural CLAM – Consciência, Liberdade, Atitude e Movimento está produzindo outras edições do maior evento de Hip-Hop da cidade de São Gonçalo (RJ), o “São Gonçalo in Rap 2008”. De julho a dezembro, no programa de revitalização da Loninha Cultural Mauro Braga, acontecerão oficinas de cultura digital, exibições de filmes e videoclipes, debates e shows.
As oficinas de cultura digital abordarão a edição de áudio, vídeo e gráficos com software livre (Linux). Trata-se de uma iniciativa inovadora pois possibilitará que as pessoas produzam suas mídias (capas de CD, bases de rap, clipes, sites) por conta própria.
Além disso, as clássicas rodas de Break, DJ, MC e Grafite terão a presença garantida, transformando o espaço num núcleo de resistência da cultura hip-hop. Seguem abaixo as datas dos eventos de cada mês:
25 de julho; 29 de agosto; 26 e 27 de setembro (edição especial); 31 de outubro; 28 de novembro; 19 de dezembro.

Local: Loninha Cultural Mauro Braga
Rua Pres. Kennedy s/n – Estrela do Norte (ao lado do Sesc)
São Gonçalo – RJ

Horário: das 16 às 22 horas
Contatos: (21) 8332-9760, K2
E-mail: saogoncaloinrap@yahoo.com.br
Sites: http://sginrap.multiply.com

posted by DINHO K2 8:04 PM

Domingo, Junho 01, 2008

Por: Candace (RJ)

O evento que já aconteceu outras vezes em cidades mineiras, terá sua primeira versão no estado do Rio de Janeiro. Organizado numa parceria entre o Hip-Hop mineiro e o Hip-Hop quilombola de Paraty, o "Café com Hip-Hop" acontecerá dia 07 de junho (sábado) na Ilha das Cobras - periferia de Paraty.
Acontecerão oficinas dos elementos de Hip-Hop, shows e a gravação do clipe do grupo "Realidade Negra" - do Quilombo do Campinho da Independência. O ponto alto do evento será o intercâmbio de informações que acontecerá, tendo num mesmo espaço sujeitos do movimento Hip-Hop de lugares tão distintos (mas que no fundo têm algo em comum).
Mais informações: cemporcentro@hotmail.com



Release completo do evento:

Release do Realidade Negra
(produtor do evento)
O RN (Realidade Negra) surgiu no quilombo do Campinho através da dupla de
Raps Romero e Nélio.
Em 2004 o RN teve suas primeiras apresentações nos evento “Roda da Leitura” e “Encontro da Cultura Negra” no Quilombo do Campinho quando improvisaram ao som do Reggae do grupo Nova Semente. No mesmo evento do ano seguinte a dupla teve uma participação maior, se apresentando com banda própria.
Só em 2006 o RN experimentou maiores oportunidades de se apresentar em eventos fora da comunidade, tendo seu auge na FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty), quando participou de uma conversa com o poeta inglês Benjamim Zeephanyan e cantou a música "Quilombo do Campinho", com exibição no jornal nacional.
A partir de então, RN incorporou à banda, deixando de ser uma dupla, produzindo suas próprias músicas, escritas por Nélio e Romero, tocando um som com influência da música black, mas que traz elementos super brasileiros como os tambores do jongo na música “Violência Social”. No VIII Encontro da Cultura
Negra, realizado no Quilombo do Campinho o RN demonstrou seu novo trabalho.
Tudo isso resultou na participação do grupo no Quilombo Axé, um evento realizado pelo Governo Federal que leva os artistas negros até os quilombos.
Foram 6 eventos ao todo, tendo sido a participação do RN no segundo realizado no dia 1 de dezembro no quilombo de Paraty, contando com as participações de Zezé Mota, Lecy Brandão, Marcão 2 do DMN e Rappin Hood e Tony Garrido que cantaram juntos com Nélio e Romero em algum momento do show, penúltimo em Rio de Contas – BA, juntamente com Zezé Motta, Marcão 2 e Netinho de Pula e o último realizado no Quilombo Campinho da Independêcia na passagem da tocha olímpica.
De previsão, tem a participação do RN na gravação do DVD do DMN e um show no Senegal.

RELEASE DO CAFÉ COM HIPHOP DE PARATY

O QUE É O CAFÉ COM HIPHOP?
Café com HipHop é uma manifestação Cultural SócioEducativo criada como alternativa para a manifestação dos 4 (quatro) elementos da cultura HipHop, Grafiteiros, B.Boys, Mcs, (Mestre de Cerimônia) e DJ (Disk Jóquei).

COMO SURGIU, COMO FOI CRIADO E PORQUE FOI CRIADO?
O Café com HipHop é um projeto que foi criado em Juíz de Fora (MG) há três (3) anos pelo Ministério da Galera de Cristo que contemplou com uma vasta experiência Cultural e SócioEducativa a inclusão de jovens das periferias da cidade através de um fenômeno chamado HipHop.
Após três (3) anos continuou a contagiar as comunidades, cidades e estados com esta Cultura Multiforme, resultado que em uma só edição conseguiu reunir em um espaço central mais de 600 jovens em plena quarta-feira, meio de semana. O sucesso maior não foi devido ao público alcançado pelo projeto, mas sim pelas respectivas comunidades
representadas no palco, devido as rivalidades de grupos jovens que se confrontam após saída de bailes funk que tem sido um problema nacional. Em Juíz de Fora (MG) este problema vem resolvendose
através da Cultura HipHop e os teus quatro (4) elementos.

OBJETIVO DO CAFÉ COM HIP-HOP EM PARATY
Queremos mostrar para as crianças, adolescentes, jovens e adultos paratienses e das cidades circunvizinhas o Hip-Hop como um movimento que vem crescendo em todo brasil, tirando a juventude da situação de risco, e assim transmitindo-lhes conhecimento, formando consciência critíca (politizando), e possibilitando a reflexão sobre as desigualdades Sociais e Raciais.
Esse evento será realizado na quadra periferia da Ilha das Cobras, um importante espaço da periferia de paraty.
A cultura HipHop nasceu e se desenvolveu nas periferias, por isso a quadra da Ilha das Cobras é um importante espaço da periferia da cidade, por isso foi escolhido para receber o 1° Evento de HipHop
em Paraty, dando início ao movimento.

Contatos:
Fábio Black (coordenador do Café c/ HipHop)
Tel.: **(24)33717731 (após as 23h00) Cel.:
**(24)81313316
email.: cemporcentro@hotmail.com

posted by DINHO K2 6:09 PM

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A decadência das periferias.

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